Dois mortos. Um aumento nas prisões. Protestos tomando conta das ruas.
Nas últimas duas semanas, as notícias dos EUA sobre a imigração pareceram um déjà vu. Como janeiro de novo. Mas a vibração está desligada.
Algo está diferente.
Da última vez, os agentes atiraram em duas pessoas em Minneapolis e a administração passou dias distorcendo a narrativa, chamando as vítimas de “terroristas domésticos”. Eles mentiram. Eles negaram.
Desta vez, quando os agentes mataram dois homens a tiros durante as paradas de trânsito, o ICE ordenou que essas paradas fossem interrompidas. Pelo menos por enquanto.
Essa mudança de tom? Está a um mundo de distância das difamações lançadas no inverno passado.
A directiva está muito longe da negação que definiu os primeiros meses desta administração.
Os detalhes, porém, ainda doem. Ontem no Maine, agentes mataram Johan Sebastian Guerrero. Ele tinha vinte e seis anos. Colombiano. Ele nem era o cara que eles estavam vigiando. Eles estavam vigiando a casa dele. Ele saiu. Ele levou um tiro.
Dias antes disso no Texas. Lorenzo Salgado Araujo tinha cinquenta e dois anos. Um motorista para trabalhadores da construção civil. O DHS disse que ele tentou atropelar os policiais.
Os trabalhadores da van disseram mais alguma coisa.
Eles disseram que os agentes não se identificaram. Eles não mostraram crachá. Eles não gritaram “agente federal”.
Isso importa? Para as famílias deixadas para trás?
Como Trump refez o ICE
Os tiroteios são sintomas, não a doença.
O sonho de deportação em massa do Presidente Trump não desapareceu. Simplesmente foi para o subsolo. Ou talvez nunca tenha saído. Ficou mais alto. Então mais quieto.
Março de 2026. Dados completos finalmente disponíveis. O ICE prendeu quase 300.000 pessoas. A Universidade de Syracuse o rastreou.
Espere, deixe-me verificar esse número novamente. 30,00. Não, trinta mil.
E só este mês? Dez mil prisões. Cinco dias.
Isso é mais do que a administração Biden reservou em meses inteiros. Às vezes, por períodos de anos.
O clamor público pode ter diminuído, mas a maquinaria não parou de girar. O cálculo de relações públicas mudou, claro. O desejo de deportar dezenas de milhares não aconteceu.
O ICE não é a mesma agência de três anos atrás.
Veja o orçamento. Ele explodiu. Oito vezes maior entre 2024 e 25.
Ice ganha mais dinheiro do que o FBI, DEA e ATF. Combinado.
Pela primeira vez em duas décadas, os agentes são instruídos a entrar.
Proativo. Caçar. Prender prisão. Não apenas pegar os caras já presos por outras acusações. É assim que conseguimos vans de vigilância. É assim que conseguimos parar o trânsito e terminar em tiroteio.
Queríamos ver se a repressão terminaria.
Não aconteceu.
